quinta-feira, maio 31, 2007

CANDOMBLÉS

Candomblés.
Os negros têm, sociedades religiosas especiais, a que chamamos de Candomblés. O termo, de evidente origem africana, significa, primitivamente, apenas as festas anuais das religiões dos negros, que se realizam em certas épocas do ano, em geral durante um período de três a quatro meses, a começar de Agosto. Hoje, porém, esse termo tem um sentido maior, sendo, não só a casa dedicadas as festa, mas também o conjunto da religião.
Esses Candomblés vieram, na maioria, da África, mas exatamente da Costa dos Escravos, da zona habitada pelos povos Yôrubas e Ewês . O tráfico negreiros para o Brasil concentrou no porto da Bahia a quase totalidade de Negros desses povos, às vezes mesclados a representantes de outro povos da mesma região, tshis, gás, mandês, haúças. Só, mas tarde, devido às limitações internacionais opostas ao tráfico, os negros do sul da África chegaram ao Brasil, entre os quais negros de Angola, do Congo, de Moçambique e do Quelimane. Daí a presença dos Deuses da mitologia yorubá, e ewê em todos os candomblés, mesmo naqueles que já se afastam quase inteiramente do padrão yorubá, como os candomblés chamados “de caboclos”. Apesar de proclamada “desmoralização” dos candomblés, ainda hoje se podem distinguir os candomblés das varias “nações”, pelo fato de que eles conservam, a despeito da ausência de contatos anteriores com a África, certos traços de cultura, particularidades de dança, música de canto, de organização de festas, que os identificam com a religião de origem.

Os candomblés são Igrejas independentes entre si, dirigidas por sacerdotes chamados de pais e mães-de-santo, que em si mesmos resumem toda a autoridade espiritual.
Parece, porém, que antigamente o candomblé foi um ofício de mulheres. A necessidade de cozinhar as comidas sagradas, de velar pelos altares, de enfeitar a casa por ocasião das festas, de dirigir a educação religiosa de mulheres e crianças, parece indicar a preferência da mulher para o ofício de sacerdotisa-chefe das religiões africanas. A preponderância da mulher na história dos candomblés vem desde o começo, com a fundação-mas ou menos – 1830 – Engenho Velho por três mulheres, das quais se conhece apenas o nome africano: ADETÁ, IYÁ KALÁ, IYÁ NASSO. Este candomblé foi o primeiro a funcionar regularmente na Bahia, tendo dado nascimento, de uma maneira ou de outra, aos demais que por suas vez se fracionaram ao infinito. Deste candomblé se separou o do Gantois, famoso centro de pesquisa de Nina Rodrigues, ao tempo da grande mãe Pulquéria. Outros nomes de mães ilustraram a história dos candomblés: Marcelina, Maria Júlia Conceição Figueiredo (chamada pelos negros, reverentemente, Iyalodê Erelú), Sussu, Alexesse, Aninha, Maria do Calabetão, em diferentes épocas. Contra tantos nomes de mulheres, sabe –se apenas da existência de alguns pais, como Bamboxê, Ti’Joaquim e poucos, mas. O mesmo fato se repete para os candomblés “de caboclo”: suas mulheres, Naninha e Silvana, os iniciaram. Já nos grandes candomblés Congo verifica-se uma exceção: um homem, Gregório Maquende, lhe emprestou todo o prestígio de que gozava e outro homem, Bernardino, continua a dar-lhes prestígios. Mesmo hoje, os nomes de mulheres são mais importantes do que os dos homens: Tia Massi, Maninha, Dionísia, Emiliana, Maria Badá, Flaviana, Maria Neném. Apesar desta importância da mulher na direção dos candomblés (Bahia), há hoje um desequilíbrio, atualmente sendo mais pais-de-santo que mães –de-santo.
Entretanto, um exame, mas profundo (não vai aqui nenhuma critica), revela se que os alguns pais de santo assimilam o ideal de “mãe” tomando atitudes femininas, caindo no bate-boca e fazendo fofocas e intrigas, típico de mulheres das classes inferiores, sendo, sendo verdade também que, mesmo os candomblés dirigidos por pais, às mulheres têm importante papel, especialmente como substitutas imediatas dos pais (mães-pequenas). Por outro lado, a critica sempre se referem mais venenosamente os pais do que as mães, considerando-os insinceros, mal-feitores e desonestos.

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