Por que ainda não vi "Tropa de elite"?

Por que ainda não vi “Tropa de elite”É o filme do ano – ninguém duvida. Não estreou ainda, é verdade. Mas é o filme do ano. Pelos motivos errados. Quer dizer, “Tropa de elite” vai ser o filme do ano pelos motivos certos, mas por enquanto ele é o filme do ano pelos motivos errados. Você sabe do que eu estou falando – provavelmente até já assistiu ao filme que ainda nem estreou. E, se o fez, foi numa versão pirata. Pode ser que você tenha pago R$ 5,00 por ela num camelô, ou simplesmente tenha visto um DVD emprestado de alguém que tenha pago os R$ 5,00 por ela. Ou pode ser ainda que você trabalhe (ou conheça alguém que trabalhe) em um quartel – e aí, quase com certeza, você não pagou nem os R$ 5,00 reais por ela, mas teve o prazer de assistir a uma cópia “confiscada”.Eu não pertenço a nenhum desses grupos. Aliás, eu pertenço a um grupo ainda mais “destransado”: aquele que “boiou” enquanto a polêmica das cópias piratas de “Tropa de elite” estava rolando forte, e só agora resolveu falar do assunto – caindo assim na minha própria armadilha, comentando alguma coisa muito depois de ela já ter passado pelo ponto de saturação de uma certa “Curva das Expectativas Flutuantes” (meu colega de blog, Bruno Medina, vai notar, em especial, essa ironia). Claro que seria fácil eu pertencer ao grupo dos que já assistiram ao filme: era só passar a “adquirir” uma cópias dessas (só neste fim de semana, topei com três barracas que a vendiam – e estou falando de zona sul do Rio de Janeiro...). Mas eu não quero pertencer a esse grupo.Minha defesa, pode ficar tranqüilo ou tranqüila, não vai ser na linha nostálgica, tipo “não existe melhor lugar no mundo para assistir a um filme do que o cinema”... Também não vou apelar para o discurso, cada vez menos útil, sobre os malefícios da pirataria. Tentando ser ligeiramente original na minha explicação não quero ver essa versão de “Tropa de elite” simplesmente porque não é essa versão que o José Padilha quer que eu veja.O diretor, não é, claro, meu amigo pessoal. Mas eu tenho certeza de que essa não é a versão que ele quer que eu veja – por mais que essa versão seja próxima à que vai ser apresentada no lançamento oficial dentro de alguns dias. Insisto que meu argumento não é o velho ramerrão – que, dependendo de quem o enuncia, ainda soa hipócrita – de que vivemos o prenúncio do fim da criação artística. Não vale nem a pena recontar aqui a epopéia da distribuição de música pela internet nos últimos dez anos, nem mesmo passar rápida pela aborrecida questão da crise das gravadoras.Como todo bom fã de música sabe, elas (todas) passaram anos explorando artistas e consumidores; tiveram pelo menos duas décadas de extremas prosperidade cobrando preços abusivos por CDs que abarrotavam seus catálogos; e resistiram o que puderam às novas tecnologias, talvez achando que “essa coisa de internet, de dividir arquivos (file sharing)” seria só algo passageiro ou, na pior das hipóteses, algo que eles podiam controlar prendendo pré-adolescentes que trocavam suas coleções de música pela internet. Apesar de respeitar (e muito) todas as pessoas que trabalham em gravadoras (resumindo a defesa delas a uma frase, eu diria que o rock e o pop não seriam essa força cultural no último século se as gravadoras não existissem como tal), não tenho um pingo de dó da miopia com que elas encararam essa – para usar um termo mais... acadêmico – “mudança de paradigma”. Isso não é, claro, um elogio à subversão – o que jamais poderia vir de mim que, como você que me acompanha aqui há quase um ano já se acostumou a ler, faço parte daquela espécie em extinção: aquela que ainda gosta de ter, tocar, colecionar, e, portanto, comprar CDs.Enfim, não tenho dó, porque, ironicamente, foram os próprios artistas que, ou cansados de um esquema que nunca os favoreceu, ou simplesmente olhando mais para frente e pensando de maneira mais inteligente sobre alternativas para o futuro da música, driblaram o assunto: aposto que você encontra, oficialmente, a música de seu artista favorito aqui mesmo na internet, sem muitos obstáculo (e sem cometer nenhum crime). Isto é, se o seu artista, ou sua banda favorita, for relativamente... jovem. Digamos, de Beck, ou dos Beastie Boys para menos – para citar apenas dois “veteranos” que souberam se reinventar nessa era digital. Caso contrário, se eles estão mais para o título de “dinossauro do rock”, a estratégia deles é inventar uma turnê tipo “revival”, como a que o Police anunciou recentemente, sob a aprovação imediata de milhões de fãs que correram para comprar ingressos (para o melhor comentário sobre essa “tendência”, afine seu inglês e clique aqui).Portanto, essa choradeira repetitiva não cola comigo: uma vez que os próprios artistas estão disponibilizando seu material, não vejo porque os fãs não podem aproveitar. No caso de “Tropa de elite”, porém, a situação é outra. Por tudo que li, a versão do filme que está rolando por aí não é o trabalho final de José Padilha. E minha tendência é respeitar a visão autoral de um artista que produziu algo tão forte e genial como “Ônibus 174”. Não viu? Ah... é documentário, né? Você deve achar chato... Que pena, pois você deixou de assistir a um dos melhores trabalhos do cinema brasileiro dos últimos... sei lá quantos anos! Não quero gastar muitas linhas com isso agora (apesar de reafirmar que, se você gosta de filmes, você tem obrigação de ver “Ônibus 174”), mas vou só dizer que, se você acha que não precisa revisitar esse triste episódio do cotidiano brasileiro, simplesmente porque se lembra bem do que aconteceu naquele fim de tarde tensa de 2000 no bairro carioca do Jardim Botânico, você nem sonha como é possível transformar, ou melhor, ampliar e interpretar uma realidade através de uma obra de arte.Tenho certeza de que, com “Tropa de elite”, o diretor oferece mais um trabalho genial. Não assisti, mas colho cá e lá várias impressões de pessoas que viram (e cujo julgamento eu confio). E tento separá-las claro, de todas as implicações “sociais” que um filme sobre o Bope (especialmente do bizarro frisson que ela vem causando em turmas de “mocinhos” e também na de “bandidos” – preciso explicar as aspas?). No balanço, tudo só faz crescer meu palpite de que esse é um filmaço. E o trailer oficial do filme, que você pode conferir logo abaixo, só aumenta essa expectativa. Só que essa expectativa pode ser perfeitamente administrada por alguns dias até que eu assista, finalmente, à versão oficial que será lançada nos cinemas, assinada pelo próprio diretor. Provavelmente não vou estar aqui quando isso acontecer, pois estou de saída para uma viagem especial (que, sim, como você já adivinhou, vai ser mais uma oportunidade para eu mandar um post na linha “onde eu estou?”) nas próximas semanas. Antes disso, outros assuntos, claro, vão passar por aqui: segunda que vem, prometo um bom balanço do primeiro aniversário deste blog; e antes disso você ainda vai saber, na próxima quinta-feira, o que significam palavras como “farik”, “kökochöka”, “kopuhia” e “menetah” – não vale mandar um google nelas agora...Mas, quando der – quem sabe quando eu voltar da viagem – vou querer usar este mesmo espaço para comprovar que “Tropa de elite” é o filme do ano. E pelos motivos certos.

(o Deus adivinho, amigo de Obatalá) p ara saber se a longa viagem lhe seria propícia. Este jogou seu jogo cauris e lhe disse que durante sua viagem ele seria vítima de um desastre, não devendo, portanto, realiza-la. Oxalufan como tinha um caráter obstinado e teimoso persistiu em seu projeto.
Oromilar então jogou novamente seus cauris e vendo que sua viagem seria penosa, que devia de sofrer numerosos revezes e que, se não quisesse perder a vida, não devia nunca recusar os serviços que, por acaso, lhe fossem pedidos, nem reclamar das conseqüências que disso resultasse e ficar em silencio absoluto. Deveria, também, oferecer um presente para exu e levar três roupas complemente alvas para trocar e sabão da costa.
já sujo e cansado, decidiu banhar-se num riacho próximo e mudar sua muda de roupa encontro um riacho e se banhou e deixou suas roupas sujas, logo depois encontrou com Exu Elopo Pupa (Exu-dono-do-azeite-de-dendê), sentado à beira da estrada,disfarçado de mendigo. Exu comprimento Oxalufan, este não lhe respondendo ( devido as remendações de Oromila sobre o silencio),achando um desaforo Oxaufan não responder, Exu então pediu a ajuda deste para levantar um pesado tacho de azeite de dendê, que encontrava no chão e colocar em sua cabeça.Sem poder responder nada e sendo piedoso e tendo boa vontade em ajudar, Oxalá levantou o tacho de azeite dendê e Exu o derramou de propósito, maliciosamente o conteúdo (dendê) do tacho sobre suas roupas, pondo-se a zombar dele. Este não reclamou, seguindo as recomendações de Oromila. Lavou-se no rio próximo, com o sabão da costa o qual havia trago, pôs uma roupa nova e deixou a velha como presente.
Hoje em dia, como muitas casas não têm fontes perto, essa obrigação é feita dentro do próprio terreiro.

que leva os Axés de Oxalá ao seu Peji, simbolizando a volta de Oxalufan ao seu reino.O terceiro domingo, finalizando o ciclo das cerimônias, é chamado de "Pilão de Oxagiyan" e evoca as preferências gastronômicas desse personagem. Distribuições de comidas são realizadas em seu nome, a fim de festejar a volta do pai. Neste dia, uma procissão leva ao barracão pratos contendo inhame pilado e milho cozido, sem sal e sem azeite de dendê, mas com limo da Costa. Pequenas vara de Atorí, chamadas Ixans, são entregues aos Oxalás manifestados, às pessoas ligadas ao terreiro e aos visitantes importantes. Uma roda se forma, onde as pessoas passam curvados diante dos Orixás que lhes dão, na passagem, um ligeiro golpe de vara;
por seu lado, os que foram assim tocados, dão e recebem, golpes de vara de assistência.Uma versão sincretizada da água de Oxalá é a lavagem do chão da basílica do Senhor do Bonfim que acontece, todos os anos, na Bahia, na quinta-feira precedente ao domingo do Bonfim. Alguns piedosos católicos tinham o hábito de lavar, zelosamente o chão da igreja. Um ato de devoção que não é particular a este templo. No Bonfim, porém, tomou um caráter diferente. Os descendentes de Africano, movidos por um sentimento de devoção, tanto ao Cristo como ao deus africano, fizeram uma aproximação entre as duas lavagens: a dos Axés de Oxalá e aquela do solo da igreja que leva o nome católico do mesmo Orixá. Os devotos aparecem em grande número a fim de participar da lavagem, na quinta-feira do Bonfim.Esta festa é, atualmente, uma das mais populares da Bahia. Neste dia, as baianas, vestidas de branco, cor de Oxalá, vêm em cortejo à Igreja do Bonfim. Trazem à cabeça potes contendo água de cheiro para lavar o chão da Igreja e flores para enfeitar o altar. São acompanhadas por uma multidão, onde sempre figuram as autoridades civis do Estado da Bahia e da Cidade de Salvador.O imenso respeito que o Grande Orixá inspira às pessoas do candomblé revela-se plenamente quando chega ao momento da dança de Oxalufan. Com esta dança, fecha-se geralmente a noite, e os outros Orixás presentes vêm cercá-lo e sustentá-lo, levantando a bainha de sua de sua roupa para evitar que ele a pise e venha a tropeçar. Oxalufan, e aqueles que os escoltam, seguem o ritmo da orquestra que interrompem a cadência em intervalos regulares, levando-os a dançar alguns passos hesitantes, no decorrer do quais o conjunto de Orixás abaixa o corpo, deixa cair os braços e a cabeça, por um breve momento, como se estivessem cansados e sem forças. Não é raro ver pessoas que, vindas como espectadoras, deixam-se tomar pelo ritmo, dançam e agitam-se em seus lugares, acompanhando o desfalecer do corpo e a retomada dos movimentos, conjuntamente com os Orixás, num afã de comunhão com o Grande Orixá, aquele que foi, em tempos remotos, o Rei dos Igbos, longe, bem longe, em Iluayé, a Terra da África.




